O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado direto a Washington. Em artigo publicado neste domingo no jornal norte-americano The Washington Post, o chefe do Executivo brasileiro declarou que o país não vai aceitar a instrumentalização das relações econômicas para pressões políticas ou interferências no processo eleitoral.
A publicação ocorre após um forte atrito diplomático. O Itamaraty negou o visto de entrada para dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo o governo brasileiro, a dupla viria ao país com a intenção de questionar a integridade das urnas eletrônicas — plano revelado originalmente pelo próprio Washington Post. O Departamento de Estado norte-americano nega qualquer tentativa de ingerência na votação.
No artigo, Lula ressaltou que jamais um secretário de Estado americano havia classificado o Brasil como um país não amigo, enfatizando que tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral não se sustentam e que ninguém vai derrotar o país com base em mentiras.
O presidente também criticou duramente o pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, classificando a medida como um erro estratégico. A sobretaxa norte-americana atinge até 37,5%, resultado da soma de uma alíquota de 25% com outra de 12,5%. Com a barreira comercial, as importações brasileiras para os Estados Unidos despencaram para o menor nível registrado desde 1997.
Lula revelou ter buscado negociações diretas com Donald Trump, além de promover dezenas de reuniões técnicas. No entanto, o governo norte-americano manteve as taxas. O presidente alertou que o arrocho encarece produtos para os próprios consumidores dos Estados Unidos, já que a indústria americana depende de insumos do Brasil. A médio prazo, a medida deve desorganizar as cadeias produtivas globais, levando empresas brasileiras a substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros internacionais.
O posicionamento do governo brasileiro se estende a toda a América Latina. No texto, Lula defendeu que a região exige parceiros comerciais previsíveis e confiáveis, descartando a aplicação de sanções econômicas ou exibições de força militar. Diante do fechamento do mercado americano, outros países ganham espaço para ampliar investimentos e parcerias comerciais. Lula concluiu reafirmando a disposição para manter um diálogo aberto e construtivo entre as duas nações, mas cravou que o destino do Brasil pertence exclusivamente aos brasileiros, sem subserviência ou interferência externa.
Postar um comentário