Representante de sindicato é presa em operação contra clínica estética clandestina em Santos

 

Foto: Divulgação

Uma esteticista ligada ao Sindicato dos Empregadores em Empresas e Autônomos em Estética e Cosmetologia do Estado de São Paulo (Sindestética) foi presa na quinta-feira (25), durante uma operação policial que identificou o funcionamento de uma suposta clínica clandestina de estética no bairro Embaré, em Santos, no litoral paulista.

A investigada, identificada como Simone Santana de Moura, recebeu nesta sexta-feira (26) uma ordem de soltura expedida pela Justiça. A liberação foi condicionada ao pagamento de fiança equivalente a cinco salários mínimos e ao cumprimento de medidas cautelares.

A investigação é um desdobramento da prisão do influenciador Matheus Ricardo de Souza Santos, ocorrida no fim de abril, em Guarujá. Segundo a Polícia Civil, ele promovia procedimentos estéticos com promessas de resultados rápidos e estaria expondo pacientes a riscos biológicos e sanitários.

De acordo com as apurações, Simone possui formação em estética e pós-graduação em estética avançada. No entanto, segundo a polícia, ela realizava procedimentos invasivos sem possuir habilitação legal para esse tipo de atuação profissional.

Mandados judiciais foram cumpridos em dois imóveis no bairro Embaré. Em um deles funcionaria a clínica investigada. No outro, os policiais apreenderam materiais e produtos de uso médico-hospitalar, incluindo seringas, aventais, tubos para coleta de sangue, cloreto de sódio e medicamentos utilizados em procedimentos anestésicos.

Entre os itens recolhidos estavam unidades de cloridrato de lidocaína, anestésico injetável utilizado para bloqueio da dor durante procedimentos invasivos. A Polícia Civil destacou a gravidade da presença desse tipo de substância em um local sem autorização para a realização de procedimentos médicos.

As investigações apontam que a esteticista não possuía autorização para realizar procedimentos invasivos nem para administrar anestesia. Segundo a polícia, as práticas adotadas poderiam transmitir aos pacientes a falsa impressão de que os procedimentos eram simples e livres de riscos, apesar do potencial de causar danos à saúde.

Os investigadores também informaram que o imóvel utilizado para os atendimentos não contava com equipamentos considerados essenciais para situações de emergência, como cilindros de oxigênio e desfibriladores.

Nas redes sociais, Simone se apresentava como professora e representante do Sindestética na função denominada “delegada”. Em publicação relacionada à posse dos representantes da entidade, realizada em fevereiro deste ano, o sindicato destacou a atuação das delegacias regionais como forma de apoio e fiscalização aos profissionais do setor.

O evento de posse contou com a presença de autoridades e representantes públicos, entre eles o deputado estadual Rodrigo Moraes, o ex-deputado federal João Paulo Cunha e a coronel da Aeronáutica Mariana Rangel.

Em nota, o Sindestética informou que sua presidente está participando de um evento em Minas Gerais e que deverá se manifestar sobre o caso após retornar ao estado de São Paulo.

A Polícia Civil segue apurando possíveis irregularidades relacionadas ao funcionamento da clínica e à realização de procedimentos estéticos considerados incompatíveis com a habilitação profissional da investigada.

A descoberta do local ocorreu durante o aprofundamento das investigações ligadas ao caso de Matheus Ricardo de Souza Santos. Segundo a polícia, o influenciador utilizava as redes sociais para atrair pacientes e transmitir credibilidade aos serviços oferecidos, que também são alvo de apuração.

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