O motorista de aplicativo de 68 anos investigado por suspeita de importunação sexual contra uma passageira de 25 anos prestou depoimento à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Araçatuba na manhã desta terça-feira (2), acompanhado por um advogado.
Segundo a Polícia Civil, o homem foi identificado após um pedido de informações encaminhado à plataforma de transporte utilizada na corrida realizada na manhã de segunda-feira (1º).
Durante o depoimento, o motorista apresentou uma versão diferente da relatada pela vítima. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Luciana Pistori, ele negou parcialmente as acusações.
Segundo a investigação, o motorista afirmou que estaria negociando um encontro sexual mediante pagamento com a passageira e alegou que o vídeo gravado por ela não mostraria toda a conversa ocorrida dentro do veículo.
A delegada destacou que o material registrado pela jovem tem sido fundamental para o andamento das apurações.
“Ela teve uma sagacidade muito grande. Muitas vezes, a vítima fica tão nervosa que não consegue raciocinar e começar a gravar. Essa gravação foi muito importante”, afirmou.
Ainda conforme a Polícia Civil, o aplicativo não possuía imagens da viagem. O sistema de gravação disponível na plataforma depende de ativação prévia pelo motorista, o que não ocorreu naquele trajeto.
Ao deixar a delegacia, o investigado foi abordado por jornalistas, mas preferiu não comentar o caso.
O advogado de defesa, Maycon Mazziero, afirmou que a acusação é contestada e que o vídeo divulgado representa apenas parte do diálogo ocorrido durante a corrida.
Segundo ele, o contexto completo dos fatos será analisado durante a investigação e em eventual processo judicial, que tramita sob segredo de Justiça.
Entenda o caso
A jovem procurou a Delegacia de Defesa da Mulher no fim da manhã de segunda-feira (1º) e registrou boletim de ocorrência.
Em depoimento, ela relatou que havia solicitado uma corrida por aplicativo para buscar o filho na escola quando o motorista passou a apresentar comportamento considerado inadequado.
Segundo a passageira, o condutor teria feito perguntas de cunho pessoal, oferecido dinheiro para um programa sexual e insistido na proposta mesmo após receber respostas negativas.
A vítima afirmou que decidiu gravar parte da conversa ao perceber a insistência do motorista.
Ainda de acordo com o relato, ela tentou interagir o mínimo possível durante o restante da viagem por medo do que poderia acontecer até chegar ao destino.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil como importunação sexual. A pena prevista para esse tipo de crime pode chegar a cinco anos de prisão.
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