Bactéria encontrada em produtos da Ypê é resistente a antibióticos

 

Foto: Ilustrativa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da Ypê com lote de numeração final 1 após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da marca. Especialistas alertam que o micro-organismo pode representar maior risco para pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Segundo o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, a bactéria possui alta resistência a antibióticos e costuma causar infecções principalmente em ambientes hospitalares.

De acordo com o médico, a Pseudomonas aeruginosa é considerada uma bactéria de “vida livre”, presente naturalmente em ambientes úmidos, água e solo. Por isso, ela também pode ser encontrada em esponjas de cozinha, panos de chão e outros materiais que permanecem molhados por longos períodos.

O especialista explicou que, na maioria dos casos, a bactéria não provoca doenças em pessoas saudáveis. O maior risco está relacionado a pacientes imunocomprometidos, pessoas em tratamento de quimioterapia, usuários de cateter, pacientes internados em UTI e indivíduos com doenças pulmonares crônicas.

Ainda segundo Celso Ferreira, situações envolvendo ventilação mecânica, traqueostomia e cateter venoso facilitam a entrada da bactéria no organismo, aumentando as chances de infecções respiratórias, urinárias e da corrente sanguínea.

A médica Raiane Cardoso Chamon afirmou que a bactéria também pode causar problemas em pessoas sem doenças prévias, dependendo da cepa envolvida. Entre os casos mais conhecidos está a chamada “otite de nadador”, associada ao contato com águas recreativas contaminadas, como piscinas, rios e praias.

Ela destacou ainda que pacientes com fibrose cística estão entre os grupos mais vulneráveis, já que a Pseudomonas aeruginosa frequentemente provoca pneumonia nesses casos, com tratamento considerado complexo devido à resistência bacteriana.

Segundo a professora da Universidade Federal Fluminense, o cenário mais preocupante ocorre quando a bactéria chega ao ambiente hospitalar. Isso porque o uso frequente de antibióticos nesses locais favorece o desenvolvimento de cepas cada vez mais resistentes.

A especialista acredita que a contaminação dos produtos pode ter ocorrido durante o processo de fabricação, possivelmente por falhas no controle microbiológico em alguma etapa da produção.

De acordo com ela, ambientes úmidos favorecem a multiplicação da bactéria, inclusive em produtos de limpeza líquidos. Embora exista tolerância para níveis mínimos de micro-organismos em determinados produtos, o excesso pode representar risco à saúde.

Em comunicado divulgado na quinta-feira (7), a Ypê informou que está colaborando com a Anvisa e realizando análises técnicas complementares, incluindo testes independentes.

A empresa afirmou ainda que mantém ações de conformidade regulatória em conjunto com a agência desde dezembro de 2025 e que pretende adotar imediatamente eventuais recomendações adicionais das autoridades sanitárias.

A reportagem do Diário Paulista informou que procurou a empresa novamente nesta sexta-feira (8), mas não recebeu retorno da assessoria de imprensa até a publicação da matéria.

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